quarta-feira, 22 de maio de 2013

LITERATURA | [as guerras búdicas: trégua para recolher os feridos]




os ambulatórios a receber, no que restam dos rostos, reticentes, os sorrisos enfraquecidos contra os prejuízos da última incursão em território hostil/ os monges-soldados, comandados por líderes santificados, vestem coletes de explosivos contra os próprios corações/ ao fim de cada batalha, recolhem-se aos hospitais do corpo, com o espírito sempre em guarda e aptos ao combate além da carne/ descansam os músculos e membros, mas treinam a guerra mais extrema em outro nível da alma, em outro teatro de operações, interno, secreto, indevassável ao inimigo/ e ainda que o inimigo esteja dentro de si mesmo, é nada além de uma única parcela humana ou persona non grata a ser revolucionada erro após erro após erro, como um seixo rolado é liso e sereno por sob as águas do rio mais violento (mas áspero como o sedimento presumidamente irremovível)/ uma vez recuperados, recolocam-se no coração mecânico do conflito apenas como mais uma pequenina engrenagem da dor, acoplada à máquina maior... 



the war must
go on /
the mushroom
must grow old / 
the show...? )














segunda-feira, 20 de maio de 2013

LITERATURA | Pega ladrão!


Pega ladrão!
Aonde?
No Senado, na Câmara, no Congresso...
E em mais um monte de lugares!

Eu já tô de saco cheio disso, sabia?
A gente vota nesses caras com esperança
Só que eles a transformam sabe em quê?
Em dinheiro!

Em verba desviada de obras públicas
Em mensalão,
Em lavagem de dinheiro...
Isso é mesmo uma puta palhaçada!

É tanto projeto inútil que dá raiva
E nada de projetos que ajudem os pobres...
Por que gastam bilhões em estádio
Enquanto milhões passam fome?

Eu não vou relatar tudo aqui
Por que eu acabaria com meu caderninho
É muita roubalheira...
É muita ladroagem

Quer saber? Cansei!
Não me procure
Vou me ocupar com outras coisas
Por que política hoje em dia tá foda!

domingo, 19 de maio de 2013

LITERATURA | Autores e Ideias 2

Conhece o projeto AUTORES E IDEIAS, organizado pela jornalista Mona Dorf?
Saiba mais AQUI.

E abaixo, um pequeno vídeo gravado no começo do mês, com as presenças de Luiz Bras e Ivana Arruda Leite.


sábado, 18 de maio de 2013

LITERATURA | Fraseologia Butequinesca 4




Um dia plantei uma árvore. Dessa árvore extraí papel e com ele escrevi um livro. O livro conquistou para mim o amor de uma mulher e com ela tive um filho. Esse filho hoje detesta árvores, livros e mulheres.

Peidar é um verbo que ninguém conjuga na primeira pessoa.


Gravidez precoce é o nome do amor levado às últimas inconsequências.

Quem dá aos pobres, ou empresta, adeus.

Quem disse que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço não conhece o metrô de SP às 7 da manhã.

Nos terreiros modernos, santo não baixa mais: faz download.

Cultura é aquilo que confere identidade a um povo.
Ministério da Cultura é aquilo que burocratiza essa identidade.

Estrupo é o estupro do vernáculo.

Pouco importa a marca — papel higiênico é tudo a mesma merda.

Muita gente aplica na Bolsa. Golpes, inclusive.








terça-feira, 14 de maio de 2013

LITERATURA | Inspirações para folhas em branco

Que vontade de escrever
Só não sei o quê...
Abro o caderno, vejo as folhas em branco
E procuro uma inspiração.
Não quero escrever poema
Nem conto
Nem poesia
Nem cônica
Nem desabafos
Não! Na verdade, não sei o que quero escrever
Não quero métricas, nem rimas
Quero algo diferente.
Mas o quê?
Sei lá...
Para ajudar, procuro uma música
Entre as setecentas não encontro nenhuma...
Nenhuma que me inspire.
Procuro na mente
Mas nada me vêm de interessante
Ah, quer saber?
Não vou escrever nada!

LITERATURA | [as guerras búdicas: a arma secreta]





um míssil remissivo ("a bomba do desapego", como a chamaram seus inventores), destituindo do passado o ato em si, eliminando do agora qualquer rastro, o fato obliterado, o armamento outrora apontado aos resquícios vivos da infância rememorada, que agora, não há, os generais terão aguardado a resposta, sacerdotes da guerra em gabinetes secretos, ocupando bunkers/ templos no topo de montanhas geladas (ou dos Himalaias) e o inimigo terá sido a última lembrança daquela tarde na cama, a recordação daquela promessa a que se apegara ela, agora nada falsificaria o óbito desse ônus emocional e o que resta na área atingida pela ogiva (um lado ignorado) é uma cratera, que logo será esquecida ("pedra sobre pedra"), não há nada no centro do trauma a não ser sua fronteira, quase apagada, mas que ainda há [o vazio é bem-vindo] porque também será esquecido o conteúdo que um dia houve, qualquer carga, qualquer kharma (a bomba funciona!): eis a gênese da gangue dos buddhas belicosos, comerciantes de armas no mercado das almas (perdidas), dos egos mergulhados na perda, na desilusão, no auto-engano; armas e drogas, buddhas traficantes de dharma, basta pagar o preço com o atravessador certo: basta virar do avesso qualquer expectativa de sucesso.



/ a bomba /



/ a arma secreta /

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Literatura | Desejo


quero toda poesia
que puder ter
reter
em minhas fibras
e as lições de vida
serão mais que
cacos de vidro caídos
                        no chão

sorvidas pela esponja-pele
verterão verbetes da minha mão:
               sinônimos
               complementos
               casos especiais (todos-usos)

Então correrei cultivar a canção
Ainda sem voz!
(Nós na terra)

Literatura | Universo de abstratos

Universo de abstratos

AISEOPAIXÀO

Espelho de duplas faces
Movimento
           Música
                   Mar
                         Melodia
                                  Morte

ondas, ondas, ondas
líquidas, sonoras, humanas
todos intocáveis !
absolutamente
eternamente irretocáveis !

Literatura | Carro poético

Carro poético
                    abandono - duas rotas

Quero guiar uma chopper
quando ganhar dinheiro para ganhá-la

"Mais um sonho de desmpregada,
de mulher destrambelhada "

Verei o filme do avesso -
serei a pressa sem preço
penso
vou querer, ter, cruzado
esquinas queimadas do passado

Ridículos ! rapazes dos anos sessenta
h(á) menos de oitenta
Livrarei meus versos
ou serei levada (?)
algumas gotas de sangue
encadernadas na calçada
Não . sou como peixe
pararei pela poesia

Quem me ajuda a carrega-la ?
A potência e a palavra
                                   pesam (?)
Mil e duzentas
                ci         lindras,
A ternura ou a estrada.

Literatura | - Jokerman -

- Jokerman -

Somos uma grande verdade
Somos uma grande mentira
e não podemos nos culpar
                               por isso.

domingo, 12 de maio de 2013

LITERATURA | Autores e Ideias

Conhece o projeto AUTORES E IDEIAS, organizado pela jornalista Mona Dorf?
Saiba mais AQUI.

E abaixo, um pequeno vídeo gravado no começo do mês, com as presenças de Luiz Bras e Ivana Arruda Leite. Depois postarei mais. Aguardem!


domingo, 5 de maio de 2013

LITERATURA | [as guerras búdicas: nosso templo/ nosso tempo]






o monge desse tempo pede fast-food online, frequenta versões simuladas de incríveis orgias gregas com transexuais Made in Thailand, remixa ao vivo os mantras que canta, é DJ numa rave no cume do monte Fuji, é hacker e reprograma seu kharma transferindo dharma do banco de dados de algum iluminado recém-cadastrado, depois, ingere substâncias que regeneram seu funcionamento metabólico e volta ao zero, ao centro sereno de sua consciência [ a esta altura não haveria sistema sagrado que não pudesse ser burlado por algum freelancer, cada hábil hacker de kharma, desde que disponível, seria sempre bastante requisitado, por controle bionívoco nas sub-rotinas ( é o que diziam os antigos ) porque é o comando mais indicado para o álibi do servidor-lakshmi ] / o monge desse tempo passa de alucinado a lúcido num único segundo aplicando um minúsculo choque elétrico numa área delicada de seu córtex cerebral - esse raro neuro-aparelho é de fabricação caseira / nosso monze gen, caso algo saia errado, caso haja um curto-circuito, tem guardada uma mente sobressalente na cabeceira, junto aos sutras escritos em páli por Sidharta, espalhados entre os discos de Sinatra / o monge desse templo se suicida com diesel na lua cheia de maio, na última ceia do Vesak, se incendeia em protesto ao aumento abusivo do preço da lâmina descartável da qual depende para raspar a cabeça/ de suas cinzas engenheiros genéticos indo-tibetanos, sino-japoneses ou afro-coreanos o farão nascer de novo, o sucessor de si próprio na escala sagrada dessa única linhagem religiosa, um gênio, um gêmeo artificial transgênico: o monge zen desse templo é tão sério, e ao mesmo tão excêntrico!



/ máquina búdica hum /





 / máquina búdica dois /